Na quente e aprazível capital do Estado verde-louro de Goiás, o clima era de decisão quando o relógio marcava doze horas no último domingo. A biblioteca do Colégio Prevest era palco de grande tensão, pois, havia terminado a quarta (e penúltima) rodada do Campeonato Goiano Amador 2012. Na categoria absoluto, Rafael Figueiredo de Paula já era Bi-campeão por antecipação, o que reservava ainda mais emoção para a assim chamada por Luciano Alves de Paula "série B" do xadrez goiano.
A emoção se dava pelo fato de que nada menos que sete (!) jogadores ainda tinham chances reais de título naquele momento. O líder isolado José Amaro possuía 3.5 pontos em 4 possíveis, mas, tinha na sua cola um sexteto (!) de respeito: Leonardo M. de Paula, William Okada, Sidnei Juliani, Luciano de Paula, João Paulo Rosa, e Lucas Barbosa, todos com 3 pontos.
Os confrontos estavam definidos: Na mesa 1 João Paulo Rosa x José Amaro, mesa 2 Leonardo de Paula x Sidnei Juliani, mesa 3 William Okada x Luciano de Paula, e na mesa 4 Diogo Okada (com apenas 2 pontos) x Lucas Barbosa (o franco atirador da prova).
A rodada final começou pontualmente ás 14h, menos na mesa 2 (justo a minha), pois, Sidnei chegou atrasado. Vale destacar que esse oponente me venceu na minha reestréia em torneios de xadrez, em setembro do ano corrente, e uma partida que cometi várias imprecisões com a defesa grunfeld. Apesar desse fato em especial, não nutria sentimentos revanchistas, pois, como segundo colocado pensava apenas em vencer para tentar levantar o caneco.
Na mesa 1, Amaro encontrava dificuldades, e uma eventual vitória minha somada ao teu tropeço me daria o título. Só que com a ausência de Sidnei nos primeiros minutos, me fez ficar ainda mais tenso que o normal. Cerca de 15 minutos após o início da rodada, Sidnei aparece para começarmos o nosso decisivo jogo.
Começou a partida, e Sidnei opta por utilizar a defesa índia do rei (preferida minha), e o mesmo, gastava cerca de 15 a 20 minutos em média por lance. Aproveitei esse fato, e pensava usando o seu tempo, e por essa razão (nada além disso), o meu tempo estava imensamente maior ao caminharmos para o fim do jogo.
Tive que sacrificar a qualidade (torre em troca de bispo e peão) para me aproveitar da má colocação do Rei de Sidnei, que lutava bravamente para defender-se de meus ataques, pois, se assim fosse, com a troca das Damas, ficaria perdido.
O ápice da partida ocorreu no lance 44. Eis as circunstâncias: Tempo para as Brancas "1h22min", Tempo para as Negras "5min55seg". Tinha uma "eternidade" para escolher três variantes, uma agressiva que me manteria no ataque, uma passiva que empataria por repetição, e a pior de todas, a que me levaria rapidamente a derrota.
Ao invés de usar o meu gigante tempo para achar um lance simples (em vista dos que achei na própria partida), resolvi tomar um peão, e achei que estava ainda mais ganho. Ledo engano, Sidnei jogou o brilhante (Da7!!) e me ameaçou mate em 2, sem nenhuma defesa satisfatória...