terça-feira, 27 de novembro de 2012

Seção “Contos de Xadrez” I: A ilusão chamada soberba (parte 1).


Baseado em fatos reais!

            Em junho deste ano, apitei um torneio de xadrez escolar, e fiquei muito feliz quando vi que um jovem que já participou do escalão principal do Clube de Xadrez de Catalão estava voltando aos tabuleiros depois de alguns anos ausente. A paixão pela arte de Caíssa é exatamente assim, ela ressurgi quando menos esperamos, e sempre mais forte do que nunca.
            Pela força do garoto imaginei que ele seria campeão com sobras, pois, o mesmo era uma notável revelação sub-14 quando o clube vivia o seu auge. Jogamos uma amistosa antes da competição, e vi que o tempo distante do xadrez havia machucado o rapaz, uma vez que, cometeu uma série de imprecisões no decorrer do jogo. Achei que a derrota acachapante serviria como lição para que ele ficasse mais atento durante o torneio.
            Ledo engano, pois, na última rodada ele estava disputando o título contra outro garoto que chegou ao torneio “botando banca” gíria adolescente que significa em termos gerais “se achando”. A partida começou e o jovem que participava do clube de xadrez conseguiu uma apreciável vantagem (Bispo e dois peões a mais). A vitória parecia cristalina e apenas uma questão de tempo.
            Porém, o esporte da mente não permite vacilos, e castiga aqueles que se julgam vencedores antes da hora. Explicando melhor: Desde que conseguiu a vantagem o jovem começou a olhar para o seu treinador e a se exibir como se já fosse o campeão, enquanto que, o outro que fora metido antes do torneio passou a devorar o tabuleiro com os olhos, em busca da sua recuperação.
            Os meus poucos e importantes leitores há essa hora já adivinharam o final da história, e não estão enganados, pois, o que era metido se revestiu de humilde, e o que estava discreto se encheu de soberba (ainda mais depois de estar com a partida quase ganha). O quase foi o fator abstrato que permitiu a virada épica da partida, e uma derrota amarga ao enxadrista que se iludiu antes da hora. Uma lição que marcaria a carreira de qualquer jogador, mas, que ao que parece nem tocou a alma do jovem talentoso derrotado naquele dia...

A explicação da última frase será postada no blog amanhã, com a continuação dessa história.


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